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  • marieneffb

Atacar ou esquivar - nem sempre uma escolha!

Nosso “jeitinho de ser” conta muito sobre como vamos reagir diante uma situação estressora, o que pode ser muito útil ou nos tornar reféns de nós mesmos.


A história de duas gatinhas conta um pouco sobre esse assunto, Gaya e Pandora.


Desde filhote a Pandora já chamava atenção pelo seu jeito descontraído e livre de ser. Seu miado era alto pra pedir comida e se afastava do grupo de forma tão natural como se pudesse entrar numa aventura a qualquer momento...

Ela ainda é assim. Pula agilmente em cima da geladeira pra caçar mosquitinhos, recebe as visitas na porta da sala e o barulho não perturba seu sono, segue plena! Ela não anda, desfila e ataca. Ostensivamente elegante, seu rebolado deixa claro que tem charme e vai usá-lo para conseguir seu cantinho ou chamego favorito. Ela quer seu brilho ao sol!


Gaya, por sua vez, foi resgatada quando a vi no fundo de uma caixa de papelão, quietinha, encolhida e imóvel. Apesar de ser maior que os irmãos, parecia mais frágil e até mesmo doente... pensei que fosse um macho, mas não. Era uma gatinha de pelo baixo e liso, assustada e extremamente quieta, lá no fundo da caixa, sozinha. Enquanto os outros brincavam, mamavam e se aventuravam, Gaya observava e se esquivava.

Ela ainda é assim... se esconde nos lugares mais secretos à qualquer barulho estranho ou que tem medo (e são muitos). Demora pra acostumar com visitas, mostra os dentes e se arrepia por intimidação. Estuda tanto suas presas que elas acabam indo embora sem nenhum golpe da gata. Atacar não é com ela!

Cheia de manias, segue rituais de carinho e jeitinhos para conseguir o que quer.


Quando foram castradas aos 2 anos de idade, foi um evento repentino, impactante e estressor para as gatinhas. Minha filha chegou da clínica com as duas e foi logo perguntando: "- Adivinha qual delas deu trabalho pro veterinário e precisou ser amordaçada?"

É claro que poderia ter sido as duas ou qualquer uma delas, mas considerando as características destemidas da Pandora e observadoras da Gaya, algumas reações poderiam ser esperadas em resposta ao estresse...


Gaya, a emotiva gatinha protetora do ninho, ao estresse procura defender o território em um padrão de recuo, se esquivando, fugindo, procurando guardar sua vida. Fica acuada, tensa e quieta para evitar o pior. Uma rígida observadora que evita confronto.

Ela bem que poderia ter sido amordaçada por tentativa de agressão ao se defender. Porém, foi Pandora, a destemida gatinha que fez uso de sua atitude para atacar e avançar com unhas e dentes, o que nessa história lhe custou o focinho machucado e mais umas horas de sedativo.


Os seres humanos também possuem estratégias (mais ou menos automáticas) que prevalecem diante situações estressoras, principalmente aquelas imprevistas e de alta intensidade. Dentre outros fatores, a personalidade, as histórias de vida, condições de saúde e a dominância funcional do hemisfério cerebral integram o "padrão" individual de cada pessoa reagir. Considerar a lateralidade cerebral para homens ou mulheres ajuda a compreender reações predominantes de luta & ataque ou fuga & esquiva. Voltando à história das gatinhas, Pandora seria exemplo do estereótipo da fêmea canhota e Gaya a fêmea destra cerebral. Considerar a contribuição hormonal e reacional do sistema nervoso, bem como suas capacidades cognitivas e evolutivas torna a reflexão mais interessante e também nos possibilita compreender e aprender novas e melhores estratégias.


Em condições saudáveis essa história pouco importa, porque as reações serão funcionais. Porém, quando o lado dominante da pessoa sofre algum dano haverá uma demanda extra ao lado contrário, podendo desencadear sinais e sintomas que repercutem em reações “desproporcionais” ou “desajustadas” em relação ao evento estressor. A pessoa passa a se comportar diferente ou de forma oposta ao que manifestaria em situação saudável.


Avaliar a existência e cronologia de eventos impactantes, inesperados e que deixaram a pessoa sem reação em momentos imediatamente antes ou durante os sintomas se manifestarem, ajuda no estabelecimento de prioridades, estratégias de enfrentamento e no reconhecimento de sinais de alerta. Lembrando que a MICROFISIOTERAPIA pode contribuir tanto no diagnóstico quanto tratamento dessas disfunções de reação ao estresse.


Fisioterapeuta Mariene F. F. Bittencourt

CREFITO11 - 42003 F





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